domingo, 7 de outubro de 2007

Das minhas confissões e confusões

Confesso que andei muito rápido.
Confesso que dei um passo a mais.
Confesso que olhei para os lados.
Confesso que, procurando, olhei para trás.
Confesso que demorei a entender a parada.
Confesso que também quis parar.
Confesso que andei mesmo assim.
Confesso que tanto fez, para mim.
Confesso que não saber onde estava foi o que me fez parar.
Confesso que estou andando para trás.
Confesso que não é o meu lugar.

Talvez eu mude a direção.



sábado, 6 de outubro de 2007

Penso, logo...

Existo?
Não.
Penso, logo desisto.





Desexisto.










♪ Damien Rice - Volcano
♫ The Verve - Bittersweet Symphony

Quem?

Eu o olhava, ele a olhava.
Ela olhava alguém, e alguém me olhava também.
Por que ninguém se satisfaz com o que tem?

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Bom dia!

Certas pessoas entram em nossas vidas, conquistam seu espaço nelas e depois vão embora. No começo, a ausência pesa no coração, mas depois a rotina nos habitua a viver sem alguém que não faz mais parte do nosso cotidiano, e assim, a intimidade diminui, o assunto das conversas fica cada vez mais escasso e, aos poucos, aquele alguém tão presente se torna um completo desconhecido. Como se tivesse feito parte de um sonho interrompido pelo despertar.
E são raras as exceções. Mas existem. Ah, sim, elas existem! E é tão bom reencontrar alguém que desapareceu do nosso dia-a-dia e perceber que certas coisas não mudaram, que a conversa flui naturalmente, que uma pessoa com quem você dividiu tanto não esqueceu a importância que você um dia teve na vida dela, e que, mesmo tendo visto alguns de seus lados mais sombrios, ainda gosta de você e te considera e respeita, apesar de. E que ela ainda lembra de coisas que você nunca imaginou que fosse lembrar, e vocês lembram juntos, e riem, e sentem até uma pontinha de saudade. E o mais importante é que ela soube que podia contar com você, se precisasse, e te procurou. E essas coisas me fazem ganhar o dia, mesmo tendo dormido duas horas, mesmo sabendo que a tarde vai ser corrida e cansativa e que a noite talvez seja tão longa quanto a anterior.
O dia valeu à pena!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Devaneio

Borboletas nos seguiam
Enquanto corríamos descalços pela grama
E você me balançava
No pneu amarrado no galho
Da árvore de folhas vermelhas
E o Sol brilhava tanto
Que nenhuma nuvem ousou manchar o céu
Os cachorros latiam e brincavam
Tão crianças quanto nós
Nos deitávamos na grama
E falávamos de sonhos e de planos
E do que iríamos fazer à noite
Sem querer que anoitecesse jamais.




E agora o bosque está vazio
E eu acordada no meu quarto
Enquanto a noite cai.




Mas não se engane...
Hoje o final foi feliz!

Música de hoje:

So Unsexy - Alanis Morissette




Sempre prezando pela letra...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Na garganta.

- Ai, ai, ai.
- Onde dói?
- Aqui, bem aqui.
- Onde?
- Aqui dentro.
- Ih... dentro, é? Bem no fundo?
- Sim.
- Estava demorando... Rendeu-se, então?
- Sem querer.
- Sabe, eu avisei que não adianta tentar evitar...
- Funcionou, uma vez. Ou duas.
- Você acha mesmo?
- Claro... Você viu!
- Por favor... Se enganar, a esta altura?
- Não estou me enganando!
- Você só não acreditou. Isso não significa que não tenha acontecido.
- Mas, e se eu continuar não acreditando, então...
- Então o quê? Vai ignorar?
- Poderia.
- Poderia... Mas deveria?
- Não sei. Talvez. Acho que é melhor.
- Melhor para quem?
- Para mim.
- Você vai viver assim?
- Que é que tem?
- Não é vida...
- Mas assim dói menos.
- Medo de arriscar?
- Não, medo de entrar no jogo errado.
- E qual é o jogo certo?
- Boa pergunta...
- O jogo certo é aquele que você tem vontade de jogar!
- Mas quando já se começa em desvantagem...
- Vira-se o jogo!
- Mas eu não quero jogar! Só quero viver.
- Viva.
- Não é assim tão simples!
- Ora... Talvez você seja mesmo um caso perdido...
- Talvez... O que eu faço agora?
- Não tenha medo de ser você.
- Só isso?
- Só??? É o mais difícil! E é só o começo, também.
- Hum... Tudo bem... Mais alguma coisa?
- Sim, só uma.
- O quê?
- Boa sorte.

Além

E tão perdida ando de mim que me encontro em qualquer lugar...
Mas nunca aqui.


Nem com a luz alaranjada na minha janela, nem o amarelo dos postes, nem os faróis dos carros...
Nem a cinza espiralando como confete, e nem as duas primeiras estrelas do céu.
Tantas luzes, e nenhuma indica a direção.
Às vezes, procuro um atalho, mas desisto no caminho.
Onde estou eu?
Quantas possibilidades vou perder ao me encontrar?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Cinzas e água do mar

Eu sou uma mistura.
Ora diluída, ora concentrada, ora saturada.
Uma solução.
Que reage a uns elementos
E a outros, não.
Sou heterogênea e polifásica.
Se me tiram o líquido, sobra o pó.
Se me tiram o pó, eu evaporo.
Pó cinza de tanta cor...
Cinza de algo que queimou.

Senhores do meu caminho

Sou livre para seguir os senhores que escolho
Mas, se te escolhi, não quer dizer que me governes
Não mudes a direção de tua busca
Não altere os passos do teu caminho
Minha escolha depende apenas
Do lugar aonde vais sozinho.